Questão de tom

As cores dizem muito do que somos, do que queremos ser e do tempo em que vivemos

Cor é coisa séria. Elas estão presentes nos ambientes em que vivemos, nas tendências de moda, beleza e decoração, no âmbito espiritual. Há muito trabalho por trás do que consumimos como produto final, sem muitas vezes percebermos a influência que as cores têm na nossa vida.

Quando crianças, aprendemos o básico: cores primárias, secundárias, quentes e frias. Mas, para quem trabalha com arte, design, moda, arquitetura e muitas outras funções, as cores ganham mais profundidade, demandando muitos estudos que, posteriormente, impactam o mercado de tendências e inovações.

Blanca Lliahnne - CEO Lexus Groupe
Blanca Lliahnne é CEO da Lexus, empresa que representa a Pantone no Brasil Foto: Divulgação

A empresa norte-americana Pantone, por exemplo, é considerada uma autoridade em cores, sendo mundialmente conhecida por seus processos de seleção, comunicação e controle de cores. Sabe quando você, lá no fim de um ano, lê em alguma revista qual será “a cor do ano seguinte”? Então, é ela que, com muito estudo, chega a este resultado, que influencia todo o mercado das tendências. No Brasil, a Pantone é distribuída pela Lexus Groupe, empresa nacional especialista na criação e divulgação de tendências.

Expert em cores e CEO da Lexus, Blanca Lliahnne trabalha com cores e tendências desde os anos 80, e diz gostar de moda, trabalhos manuais e de artes em geral, desde pequena.

“Costumava fazer roupas para minhas bonecas e montar desfiles para elas”, conta a profissional, que hoje está à frente da Pantone Color Institute – que apresenta, através de palestras e workshops, as grandes tendências, influências e os estudos da evolução das cores para todas as indústrias do design, seja gráfico, de moda e têxtil, de decoração e interiores ou design industrial. Além disso, a empresa divulga a Cor do Ano Pantone desde o seu início, em 1999. Em 2018, aliás, o tom escolhido foi o ‘Ultra Violet 18-3838’”.

“A escolha de cor do ano é um processo que leva em consideração principalmente a força emocional de uma cor e o macroambiente de uma época. Nós investigamos o mundo em relação às cores que estão como grandes promessas de tendências e também as cores que já estão consolidadas. É um estudo vasto, permanente e de escala mundial”, explica.

Esta investigação acontece em todos os ramos da vida humana, abrangendo comportamentos sociais, contextos políticos, a economia, tecnologia e, é claro, o entretenimento – analisando lançamentos de filmes, programas, novidades na música e o comportamento das celebridades em relação às cores.

“São influências que vão acabar ficando no mercado. Se você conseguir traduzir essas influências para uma linguagem colorida, então a gente consegue ter a cor do ano. Por isso, ela é tão forte, pois leva em consideração o macroambiente mundial, a evolução das cores e as influências dos setores sociais, das artes, etc.”, completa Blanca.

Texto extraído da matéria publicada em http://www.ofluminense.com.br/pt-br/revista/quest%C3%A3o-de-tom

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